África · Egito · Luxor

Luxor: Templo de Hatshepsut, Vale dos Reis, e Vôo de Balão em Luxor

No último post, visitamos a margem oriental do Nilo em Luxor onde estão os deslumbrantes Templos de Luxor e de Karnak. Agora, passamos para a margem ocidental, onde fica a Necrópole da cidade, mais espeficamente, o Vale dos Reis.

Cruzando o Nilo de Feluca, veleiro tradicional egípcio

A margem ocidental do Nilo em Luxor é bastante tranquila e deixa para trás o bulício da cidade moderna. Nesta parte encontramos uma frondosa campina com plantações de cana de açúcar com pequenas casas coloridas com o deserto ao fundo.

Vôo de Balão em Luxor

Começamos esse dia às 3:30 da manhã, rumo à entrada do Vale dos Reis onde sobrevoamos Luxor de balão. Uma experiência fantástica que vale muito a pena! Ganhamos até certificado no final.

Sobrevoamos as plantações, as casas locais, o Templo de Hatshepsut, os Colossos de Memnón e o Vale dos Reis. O vôo é muito tranquilo e o passeio foi organizado pelo nosso guia do cruzeiro que nos acompanhou em todos dias entre Assuã e Luxor, mas há muitos passeios oferecido pelo Get your Guide, por exemplo, ou lá mesmo é só perguntar no cruzeiro ou no hotel que não faltarão opções. Há diversas operadoras que trabalham todos os dia pela manhã, é só escolher uma. Nós fomos pela Galaxy Air Balloon e tanto o equipamento quanto o piloto eram excelentes e o pouso foi muito suave. Recomnedamos!

Templo de Hatshepsut

Também na margem ocidental do Nilo, encravado em montanhas de pedra calcária, há 300 metros acima do deserto, está o belíssimo Templo Comemorativo de Hatshepsut. A tumba de Hatshepsut está no Vale dos Reis (KV 42).

O templo é um dos monumentos mais bonitos do Egito e deveria ser ainda mais impressionante na época de Hatshepsut (1473-1458 a.C.) quando a ele se acessa por uma passarela de esfinges, o pátio era um jardim cheio de árvores exóticas e frutas aromáticas e conectado ao Templo de Karnak pelo Nilo.

O templo está dividido em três andares, mas sofreu diversos ataques por parte de Tuthmosis III, seu afilhado, que mandou apagar o nome e as imagens da madrasta de todas as partes do templo; também Akenaton mandou apagar as imagens de Amón e os cristãos o converteram em monastérios, apagando várias pinturas originais.

O templo é acessado pelo grande patio onde há um exemplar de uma árvore de incenso trazida por Hatshepsut de sua expedição a Punt, atual Sudão.

Árvore de mirra para produção de incenso trazida de Punt (Sudão)

Uma grande rampa leva ao terraço intermediário que apresenta relevos maravilhosos.

Os relevos das colunas norte mostram o nascimento divino de Hatshepsut e ao lado uma capela ao deus Anubis da mumificação.

Nascimento divino com deus Amon e Hatshepsut apagada
Capela deus Anubis

Os relevos das colunas de Punt contam a história de sua expedição a Punt para coletar árvores de mirra para a fabricação dos incensos usados nas cerimônias dos templos. Se descrevem frutas e animais exóticos, paisagens e pessoas estrangeiras.

Expedições a Punt (Sudão)

Ao final dessas colunas está um templo dedicado à deusa Hathor, da fertilidade e mostra Hatshepsut mamando na deusa vaca.

Na outra parede aparecem os soldados de Hatshepsut vestidos em honrar a ela.

Na terraça superior há 24 estátuas de Hatshepsut representada como Osiris, na figura de um faraó, mostrando que ela governava como um homem.

No final do templo há uma capela dedicada ao deus Amón.

Ao lado do templo de Hatshepsut, está o templo de seu sucessor e afilhado, Tutmosis III, do qual só restam ruínas.

Ruinas do templo de Tutmosis III

Colossos de Memnon

A caminho do Vale dos Reis, de longe já se avistam os dois Colossos de Memnón, que representam o faraó Amenófis III cada um com 18 metros de altura e construídos em um único bloco de pedra e com um peso de 1000 toneladas.

Esses colossos custodiavam a entrada deste Templo Funerário de Amenófis III, o maior da margem oriental de Luxor. Na atualidade os egiptólogos escavaram o templo e seus achados estão expostos atrás dos colossos.

Os colossos já eram uma grande atração na época greco-romana, quando as estátuas foram atribuídas a Memnón, o legendário rei africano assassinado por Aquiles na Guerra de Tróia. Gregos e romanos consideravam boa sorte ouvir o assovio que emitiam as estátuas pela passagem do ar em suas frestas e acreditavam que era uma saudação de Memnón a sua mae Eos, deusa da Aurora; esta, por sua vez, deixava cair suas lágrimas em forma de orvalho pela morte prematura do seu filho.

Vale dos Reis

A margem ocidental do Nilo em Luxor tem sido um cemitério desde o ano 2100a.C., mas foram os faraós do Imperio Novo (1550-1069 a.C.) que escolheram este lugar para ser o Vale dos Reis e abrigar os restos mortais da realeza, um lugar mais reservado, protegido por colinas, onde as tumbas poderiam ficar mais escondidas dos saqueadores que as vistosas pirâmides. O vale dos Reis contém 64 tumbas reais. Na verdade ele está dividido em duas partes: a parte leste do vale onde ficam a maioria das tumbas e é amolamente visitada pelos turistas e a parte oeste do vale onde somente há dois túmulos: o KV 22: Amenhotep III e o KV 23: Ay.

As tumbas, no entanto, sofreram graves danos por causa dos saqueadores, inundações e turismo. Por isso hoje existe um sistema de rotação das tumbas que estão incluídas no ingresso de entrada, que dá direito a 3 visitas. A tumba de Tutankamon é paga a parte e custa 300 libras egípcias.

Na entrada do vale há uma maquete do lugar e logo você avistará os trenzinhos elétricos que te levam até a entrada das tumbas. Muitas informações sobre o Vale dos Reis e a tumbas podem ser encontradas em https://thebanmappingproject.com/index.php/valley-kings

Maquete do Vale dos Reis

Nós visitamos as tumbas de Meremptah, Ramsés IX e Ramsés III, considerada uma das mais bonitas do Vale.

Tumba de Merenptah

A primeira visita foi à Tumba de Meremptah (KV 8) a segunda maior tumba do vale, aberta desde a antiguedade, o que explica os vários grafites gregos e coptos.

Os relevos estão muito bem conservados e os corredores estão decorados com passagens dos livros dos mortos.

Ramsés III foi tão longevo que 12 de seus filhos morreram antes que ele. Merenptah foi seu 13• filho que o sucedeu aos 60 anos.

A tumba de Tutankamón (KV 62) é uma das mais famosas do vale por causa do seu descobrimento por Howard Carter em 1922 e dos tesouros que ali dentro foram achados. Ela é uma das mais simples do vale, pois todos os tesouros estão expostos no Museu Egípcio do Cairo, mas abriga a múmia do faraó.

Entrada da Tumba de Tutankamon

Também devido à morte prematura do faraó, aos 18 anos, não houve tempo hábil para terminá-la. Acredita-se que Tutankamon haja sido enterrado com todos os tesouros de Amarna, capital fundada por seu pai, o faraó Akenaton, para que esta fosse esquecida para sempre.

A segunda tumba visitada foi a de Ramsés IX, filho de Ramsés III, o oitavo governante da Dinastia XX. Sua tumba (KV 6) foi a primeira tumba aberta desde a antiguedade e dezenas de inscrições romanas e coptas foram deixadas em suas paredes pelos visitantes. Ela é provavelmente a mais visitada no Vale dos Reis, pois tem fácil acesso, está ao nivel do chão e as decorações são muito bonitas. Foi visitada e estudada por Champollion, o egiptólogo francês que decifrou o código dos hieroglifos.

Pinturas novas

Quando Ramsés IX morreu, somente uma parte da tumba estava pronta. É possível ver a diferença entre as pinturas realizadas em vida e as que se completaram depois que ele morreu.

Pinturas tradicionais
Tumba de Ramsés IX

As decorações aparecem como uma mescla de pinturas novas, tradicionais e textos.

No segundo corredor aparecem cenas de céu estrelado e no terceiro, cenas do livro da morte e do rei com os Deuses.

Nossa última visita foi à Tumba de Ramsés III (KV 11) uma das mais populares do Vale por ser uma das mais conservadas e interessantes.

Textos mágicos para orientar a alma

Há dois corredores, um dobrando à direita e outro à esquerda até adentrar à montanha por um caminho de 125 metros de comprimento.

A câmara mortuária é ricamente decorada com 8 pilares.

A decoração inclui baixo-relevos pintados representando os textos rituais tradicionais e a Ramsés frente aos deuses.

Também há pinturas de cenas estrangeiras, harpas e do Livros das Portas. O sarcófago de Ramsés III está no Museu do Louvre em Paris.

Deixe uma resposta