Bolívia · Salar de Uyuni

Atravessando o Salar de Uyuni na Bolívia

Chegamos em La Paz às 17h vindos de Copacabana em um ônibus super colorido em que as malas são amarradas no teto do lado de fora e um plástico é colocado por cima de tudo para evitar a chuva. E choveu e não molhou nadinha. Isso porque nesse dia começou uma greve de ônibus e foi o que conseguimos… e foi uma aventura. Os assentos estavam esgotados e nos arrumaram dois lugares ao lado do motorista. A vista da paisagem foi espetacular.

Descemos na porta do hotel Rosário onde passaríamos a noite se não conseguíssemos comprar a passagem de ônibus para Uyuni. O hotel é lindo, o restaurante ótimo e o staff atenciosíssimo. Fizeram de tudo para que nos sentíssemos a vontade na nossa estada relâmpago.

Chá de Coca para os hóspedes.

Deixamos as malas com eles e pegamos um táxi para a agência da Todo Turismo que tem o melhor ônibus para viajar ao Salar. Felizmente conseguimos comprar as passagens. Em frente há um supermercado enorme onde compramos pilhas para a máquina fotográfica.

Voltamos para o hotel para pegar nossas malas. Ao lado do hotel Rosário tem uma loja de equipamentos eletrônicos onde compramos mais um cartão SD. Fica a dica.

Nos dirigimos novamente para a agência da Todo Turismo para aguardar a saída do ônibus às 21h. O ônibus é excelente, com bancos que reclinam bastante, travesseiro, cobertor, jantar e sistema de calefação. Depois do jantar dormi direto nas próximas 10h horas de viagem. Pelo que me lembro foram cerca de US$48 a passagem.

O ônibus vai até a cidade de Uyuni, mas descemos um pouco antes no povoado de Colchani conforme instruções do nosso guia, que parou o ônibus e nos acordou para que descessemos.

Ele nos aguardava em um jipe 4×4 e nos levou direto para o Hotel Luna Salada para um breve descando, pois eram 7h30am e às 9h30 já sairiamos para o primeiro passeio. Em um próximo post falarei sobre o hotel que é incrível!

Fotos de Hotel Luna Salada, Uyuni
Após o café da manhã – no restaurante feito todo de sal – começamos o primeiro dia de excursão pelo Salar.

Fotos de Hotel Luna Salada, Uyuni
Começamos pelo povoado de Colchani onde visitamos o Museu de Sal e conhecemos o processamento de sal, em fábricas rudimentares, onde além do sal, são vendidas esculturas de sal que valem a pena.

Continuando a viagem visitamos os montones de sal. O Salar contém 10 bilhões de toneladas de sal. Os locais retiram cerca de 25.000 toneladas por ano. O sal é retirado com pás e empilhado em centenas de ‘montones’ antes de serem colocados nos caminhões.

O sal é vendido na Bolívia e exportado para todo o mundo.  Ao sal exportado é acrescentado iodo, mas o sal vendido na Bolívia não tem iodo e por isso muitos locais sofrem de doenças pela falta desse mineral. Seus grãos são grandes e similar ao sal grosso. O Salar tem 120 metros de profundiade e os cientistas indicam que há 11 camadas de sal cada uma de 2 a 10 metros de profundidade.

O hotel de Sal, hoje desativado, é outro ponto de visita no Salar há 30km de Uyuni. Paga-se para entrar e há uma lojinha de souvenirs no hall principal.

Em frente há um local cheio de bandeiras, inclusive a do Brasil, ideal para tirar fotos.

Em certas partes do Salar a água subterrânea através as camadas de sal e brota na superfície provocado erupções devido aos gases subterrâneos que provocam borbulhas. São os Ojos del Salar cujas águas acredita-se que sejam medicinais.

Depois o local mais esperado – o próprio salar – com seus espelhos d’água onde andamos descalços, tiramos fotos malucas e nos divertimos muito com a palnície branquinha que emenda com o céu. O salar de Uyuni é a maior planície de sal do mundo com cerca de 12.000 km² localizada nos departamentos de Potosí e Oruro no sudoeste da Bolívia.

Há 40.000 anos atrás era um lago de água salgada que se formou pelo choque de duas placas tectônicas. O lago secou e deu origem ao deserto de sal. A área do Salar é tão extensa que não é possível enxergar o fim dele. Devido à falta de horizonte cria-se uma ilusão de ótica nas fotografias: não há sendo de profundidade. Quando você tira uma foto, se colocar um objeto perto da câmera e então caminhar para longe dele e tirar uma foto, a ilusão é de que você está perto ou sobre ele. Isso dá a impressão de que o objeto é enorme e você minúsculo. O guia nos ajudou a montar as nossas fotos.

Outra ilusão é criada quando chove. Uma fina camada de água cobre o salar e o faz parecer um espelho que reflete tudo a seu redor. Se você anda sobre ele parece estar andando sobre as águas. A estação de chuvas vai de Novembro a Abril e é quando o tempo fica um pouco mais quente no lugar.

A área também é conhecida internacionalmente porque contém 140 milhóes de toneladas de litium. O governo boliviano pretende explorá-lo para exportação.

Montanha das 7 cores

Outro fato fascinante é que a NASA usa o Salar para calibrar satélites. A superfície do salar é tão estável e imutável que raios lasersão lançados dos satélites até a sua superfície para ajudar os cinetistas a calcular a distância entre ele e o satélite. Isso ajuda no estudo das mudanças climáticas. Veja mais informações nesse vídeo watch this 2-minute video

Fomos então à Isla Incahuasi, a ilha de cactos gigantes com mais de 1000 anos de idade. Os incas os plantaram para marcar o local de abrigo durante a travessia do salar. Chama-se ilha, pois quando o salar alaga (50m) ela é realmente uma ilha. Lá é onde encontramos algumas das últimas vicunhas do mundo.

Depois de explorá-la, almoçamos no restaurante da ilha: sopa de quinua, batata frita, legumes e carne de lhama – estava louca para experimentar – é bem forte, mas gostosa.

À tarde retornamos ao hotel para apreciar o belo entardecer no Salar que tem o céu mais estrelado do mundo devido a inexistência de poluição e luzes artificiais.

Depois de descansar um pouco jantamos no próprio hotel o prato mais típico da Bolívia – a truta do Titicaca que é deliciosa!

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